Sonhos dos Magos Vermelhos 11 .  Bioma necronômico
Sonhos dos Magos Vermelhos 11 . Bioma necronômico

Sonhos dos Magos Vermelhos 11 . Bioma necronômico

Trolls. Enfim, havia parado nessa parte.

Um apareceu na minha frente, um para o lado de Gutuk, tinha um mais afastado, um atrás, .. agora na dúvida se tinha mais um no outro lado. Foi um punhado. 

Trix estava mais atrás, no entanto, foi a primeira que percebeu o que estava acontecendo. Praticamente nos avisou com o som estalado de trovão. Uma das técnicas que ela tem com espada. Tentei dar seguimento no mesmo tom, chamando relâmpagos. 

Haviam os trolls mais próximos atacando e os demais se aproximando. Eram mais rápidos do que pareciam. Uma fireball passou rente na minha cara. Era coisa de Thass, pegou dois, depois ela ainda me puxou. Comentando porque foi aquelas puxadas de quando ela puxa sem puxar. Gutuk estava segurando um lado. Na dúvida se ele tinha usado as correntes essa hora, muita bagunça. Aurora e seus espíritos, continuam vários golfinhos. (Ela fala de Lathander, pra mim a bênção é de Sashelas…). Ela também tem usado uma coisa que lembra a minha seta, mas é diferente.. tem cara de manhã. 

Um dos chamuscados achou que eu tinha cara de alvo. Fiz muito de não cair e tive que usar uma medida de emergência. Meio chateado de ter gastado o recurso, mas o “e se” era pior. 

Vou repetir que eles eram bem rápidos, parecia que davam 3 ataques por vez e sabe lá se tinha mais deles por perto. O combate pode ser dividido entre esse começo complicado e depois que Thass “quebrou a rapidez”. Até para cair no chão ficaram lerdos. 

Em uma trilha pra encontrar cultistas e thayanos, voce não quer gastar recursos, porém aquela recepção pediu. .. e definitivamente, Thass mudou o rumo da coisa. 

Gutuk, agora que ficamos sem Blantra, acaba segurando muita coisa sozinho. Trix se vira, Aurora tem aquela armadura completa da ordem, Thass voa com golfinho.. ok.. eu ia falar de Gutuk, mas isso levou a uma conclusão diferente de onde estava querendo chegar..  preciso de alguma alternativa para esse problema. Se eu não conseguir acompanhar o grupo de pé, não faz sentido…

Enfim, Gutuk estava precisando de uma pausa. Precisando muito, no patamar de ele ia sentar por ali e tive que lembrar que tinham lugares mais secos e menos corrompidos perto.

__________

Chegamos a uma ilhota em divisa com uma parte ainda limpa, ou menos corrompida. Provavelmente um dos limites do pantano. Havia o que já foi uma casa e um deck. No deck uma figura, parecia um humano pescando. Como todos foram lá falar com ele, era mais que o suficiente. Aproveitei que elas estavam lidando com aquilo e fui me situar novamente. Já tínhamos caminhado um bom pedaço e até para saber o sentido que estavam as pessoas e o infero, ou se tinha qualquer informação nova. 

O lugar era menos ofensivo, .. ofensivo de grosseiro, .. não o lugar-onde, o lugar-lugar.. o.. lugar.. .. é .. como coloco? No lugar corrompido, a parte que ainda tem vida, que ainda resiste é angustiante, ela responde, mas em desespero. Na parte que já foi, a parte já totalmente corrompida, entra em conflito com qualquer coisa que não está assim e agride. Desagradavel, cansativo, desanimador .. aquele lugar em que paramos essa hora era uma parte menos pior.

Tenho colocado como pantano/mangue, no entanto é um ambiente construído por corrupção de origem arcana, não dá para chamar de pantano, nem mangue.. definitivamente.. A influência do clima parece bem limitada, no máximo névoa e ar estagnado. A água não sofre ação de maré ou corrente e não sustenta vida da forma como se pode chamar de vida. As árvores, aliás a vegetação de forma em geral.. agora pensando, faz sentido que a flora também esteja nesse ponto intermediário de não vida. Faz sentido e explica a manifestação, essa sensação que até os vestígios na lama do rastro dos invasores da fortaleza tinham… Bioma necronômico? É o termo mais próximo que me ocorre. A única coisa “viva” que encontramos mesmo, foram os trolls, já em estado de putrefação, aquele ponto artificial de não vida e que não deveria.

Sobre o caminho, falar que estávamos no caminho certo é forte. O pantano não sabe falar “cultistas do dragão e magos thayanos ou tipo específico de infero”, ele fala pessoa de tamanho médio, sobre duas patas pertencente a esse plano material e criatura significativa de tal energia do plano desse tipo. Dentro do chute “a direção de coisas ruins seria o lugar certo”, sim, a direção era aquela. 

Fui para o deck comentar sobre as coisas que tinha achado com o resto do grupo. Deu para ver de longe Aurora entregando uma quantia significativa de peças de ouro para o .. era um homem mesmo, pescador, e tinham dois conjuntos de olhos na água que pareciam ser o vulto de froghemoths. Gutuk estava fazendo a digestão do lanchinho de algumas rações e ..ok, agora percebi que não faço ideia do nome do sujeito, e .. não faz diferença mesmo. O humano dos froghemoths, ele conhecia as figuras suspeitas que andavam por ali e depois do incentivo de Aurora, ia guiar o grupo. 

Trix também tinha reparado nos olhos na água e veio perguntar se eu achava que eles não iriam atacar ou nos seguir. Se fosse pra isso já teriam, e o curso d’água do caminho não tinha profundidade para eles. Pelo menos nisso, o risco parecia menor. Acho.

O ouro parecia ser o suficiente para um pouco de lealdade temporária e a direção que ele levava era o sentido que eu reconhecia. O sujeito parecia meio paranoico, mas deve ser o usual pra um morador de lugar corrompido que negocia com cultistas. 

___________________________

Ele nos levou até as ruínas de uma cidade às margens de um dos corpos d’água. Esse também com um pouco de vida. Era o lugar onde estavam as 3 pessoas e o ínfero. O sujeito foi embora assim que conseguiu.

Thass que estava no golfinho, olhou por cima. Identificou com relativa integridade 3 casotas e uma casa maior. Seguimos as direções de Thass e tentamos ser discretos. Diria que conseguimos, mas logo encontramos uma .. era como um cubo gelatinoso, mas a massa vermelha, cheiro de ferro e podre. Thass reconheceu em algum grau, disse que era morto vivo. Nunca tinha visto nada daquele jeito, porém não é muito surpreendente.. se a grama estava naquele estado, por que não um cubo gelatinoso? Os restos de pessoas dentro completavam a visão. Gutuk estava, desde o momento em que pisamos naquele lugar, perguntando se podia “ir do jeito menos discreto”. Acho que foi seu momento de alegria. … algo sobre espalhar geleia. 

Ele se colocou na frente, e achei, realmente achei, que estaria em um lugar mais razoável que da ultima vez, ..  E aparece outro bem na minha cara!? Não era vermelho, mas tinha pedaços de gente dentro também. Apareceu outro parecido do lado de Trix e Aurora e um terceiro diferente do meu outro lado. Thass estava no golfinho de cima, então tecnicamente também era meu lado.  A impressão era que o vermelho maior não ia parar de chamar gosmas e similares. Cercados, para resumir. De novo. No mesmo dia.

Aurora resolveu o “líder” com banimento. É uma solução que exige concentração da pessoa para sustentar um corpo em outro plano. Não é pouca coisa, tem limites de duração, mas em casos assim pode ser suficiente para o que se precisa. 

Gutuk havia acionado algo nos anéis, no meu e no de Aurora. Quando os cubos acertavam, de alguma forma o dano era dividido. É uma propriedade perigosa, só deu para entender direito quando aconteceu. Não sei como lidar com isso. Não é o tipo de sacrifício que você espera de alguém, independente do tamanho da pessoa. Com a experiência dos trolls, definitivamente, só estou de pé por causa desse .. chamar de “recurso” é ofensivo. Foi um sacrifício. É um pouco assustador.  

E não foi apenas essa surpresa com Gutuk nessa luta. Formas de bugursos, como fantasmas, mas não ruins, espíritos, espíritos de proteção que surgiram em torno do grupo e tinham alguma ligação forte com ele. Como velhos companheiros de batalha. Aurora comentou uma vez que tinha um grupo de amigos muito próximos, que funcionava parecido com o nosso. O grupo que ela havia perdido .. Será que aqueles bugursos eram alguma coisa assim? Apenas uma impressão. Parece algo para fogueira e bebida forte. 

Lutamos ao lado dos bugursos. Trix e Aurora seguravam do outro lado. Como tinha refletido antes, não tenho a velocidade de uma ou a quantidade de metal da outra. Quando tinha apanhado suficiente, ..meu caminho foi com o dragão. Com ele fiquei na altura de Thass. E a geleca desgraçada na minha frente tinha resolvido ficar enorme. Aurora sustentando vermelho em outro plano. Percebemos que os restos dentro das criaturas eram nitidamente cultistas do dragão, .. pedaços de cultistas do dragão. 

Conseguimos resolver antes do tempo do banimento acabar. Gutuk, encontrou uma adaga ritual de dente de dragão em um dos restos nos restos. As botas batiam com as marcas das pegadas que havíamos visto no hall e salão da fortaleza. É um palpite, mas quando determinado grupo tem força superior, o custo benefício de aliados é muito baixo. Para que aliados ou parceiros? Servos são um recurso conveniente de manutenção baixa. Você precisa de poder e medo. O segundo vem quando o primeiro está bem aplicado. Deuses.. lembrando demais dessas coisas.. mas thayanos parecem seguir essa lógica, com preferência a “servos recicláveis”. Isso simplifica bastante a possível relação dos dois grupos.

_________________________________________

O grupo tinha ido na frente, mas deu pra alcançar logo. Entraram na casa, a maiorzinha que parecia ter sido prefeitura ou sede de alguma coisa. As outras 3 eram por onde havíamos passado e onde tinham as.. gosmas. Por dentro, tudo indicava que pessoas habitavam ali já há algum tempo. Gutuk, seus amigos espíritos foram por um lado e Aurora pelo corredor. Thass e Trix vendo os objetos da sala na entrada. Parecia vazio e na pressa que eles estavam vendo, eu mesmo fui procurar entender melhor o lugar em uma porta que não havia sido vista. Era um quarto. Objetos simples de um cultista padrão e alguns livros. Não, não sei dracônico, obviamente era dracônico. Nem todo mundo gosta de livros.. tem gente acha bobo, ou supervalorizado… eu gosto de livros… 

Tinha um especialmente bonito, e grande, alguma coisa perto de 30 x 40 cm, talvez maior; a capa de couro trabalhado para parecer coberto de escamas; o símbolo do culto do dragão marcado, também em relevo; cantoneiras de metal; uma trava simples, mas elegante. Por dentro papiro bem executado e costurado. Tirando a parte nitidamente de “algo do culto do dragão”, realmente muito bonito. A distribuição de texto e as imagens indicavam um livro de histórias. Preciso de uma daquelas lentes tradutoras. .. (será que Zehira sabe onde arrumar uma?) (contando com que ela ainda esteja viva e inteira o suficiente)

O que acabou chamando bastante a atenção foi a ilustração de um dracolich, um dracolich que já foi um dragão azul… 

Dragões azuis já apareceram duas vezes nessa história: o trono roubado feito de dragão ancião azul e a sequestradora do rei no sequestro anterior, uma dragoa/dragonesa azul. Acho que cruzamos a linha da coincidência para a reincidência. Reincidência no nosso contexto atual não é uma coisa promissora. Estamos nesse bioma necronômico, teoricamente lar de cultistas do dragão, que viraram recheio de gosma depois de se associar a thayanos. Ainda não achamos thayanos, nem sinal do rei ou do trono. Acabo de perceber que eu realmente preciso de um descanso e acabo de ouvir uma barulheira com voz de Gutuk no meio. Deuses…